Manipulate public opinion to gain the appearance of respectability

De Observatório sobre as Estratégias da Indústria do Tabaco no Brasil
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Crédito: WHO/World No Tobacco Day©, 2012





Fumar mata – mas a indústria fumageira tem desenvolvido uma série de truques para manipular a opinião pública. Ao investir fundos em programas juvenis ou causas sociais disparatadas, tais como alívio de catástrofes naturais e grupos de conservação da natureza, suas empresas tiram o foco de seus produtos letais e ganham uma aura de respeitabilidade social.



A opinião pública governa o funcionamento de nossa sociedade, e a indústria fumageira dedica recursos consideráveis para tentar corrompê-la. A indústria está ciente de que a visão de milhões de pessoas todos os dias é influenciada pelos meios de comunicação em massa. A indústria fumageira usa empresas de relações públicas e outros grupos para inventar e distorcer as notícias de forma a promover seu negócio letal. Empresas de relações públicas geralmente são usadas em uma tentativa de manipular a mídia e a opinião pública a respeito de diversos aspectos do controle do tabaco e para granjear o apoio de pessoas que se opõem à 'intromissão' do governo nos negócios e na tributação, instigando assim visões gerais antirregulatórias e antigovernamentais.

No entanto, a principal maneira de manipular a opinião pública é por meio de Responsabilidade Social Corporativa (RSC), também conhecida como "investimento social". Ainda que as atividades de RSC em muitos setores reflitam um compromisso honesto de comportamento ético e contribuição ao desenvolvimento econômico, ao mesmo tempo melhorando a qualidade de vida dos funcionários, da comunidade local e da sociedade como um todo, para a indústria fumageira é uma estratégia que age em seu próprio favor. As atividades de RSC da indústria fumageira podem incluir campanhas ineficazes de prevenção do fumo entre adolescentes, as quais permitem que a indústria se apresente como 'importando-se' com os jovens, para quem também vendem seus produtos letais. A indústria se empenha arduamente para apoiar programas sociais direcionados a produtores de tabaco e seus filhos, além de causas sociais inusitadas em relação à sua atividade-fim, como programas para combater a violência doméstica contra mulheres, esforços de ajuda humanitária e causas e grupos ambientais.

Frequentemente, um grupo aceita fundos da indústria do tabaco ou trabalha com ela, e a indústria recupera, assim, parte da respeitabilidade que perdeu por meio dos danos sociais, econômicos, ambientais e à saúde causados por seus produtos. Em suma, a indústria fumageira usa a RSC para alegar que se importa com a sociedade e com o meio ambiente, e também para se apresentar como um membro responsável da sociedade.

Esses esforços de RSC interferem na política de saúde por conquistar para a indústria a boa vontade dos políticos e do público. A indústria usa a RSC para atrair grupos não relacionados ao tabaco _ às vezes nem mesmo relacionados à saúde _ para se tornarem seus aliados. Dessa forma, quando há tentativas de regulamentar as propagandas de tabaco, por exemplo, a indústria pode mobilizar um conjunto de empresas aliadas , ou que estão em dívida com ela, para falar em seu favor.

Este fenômeno tem sido visto recentemente em países de regiões tão diversas, como a África [1] e a Europa [2], onde os representantes das empresas fumageiras queixaram-se que uma proibição proposta sobre o patrocínio, uma forma reconhecida de marketing, era prejudicial e desnecessária. Um coro de protestos de organizações de caridades que apoiam causas como saúde mental e cuidados com os idosos foi citado na mídia e apresentado como uma oposição à legislação proposta sobre a proibição de propagandas de tabaco. As reportagens da mídia focavam na perda de renda das organizações de caridade, e não nos ganhos da saúde que viriam com a restrição das propagandas de tabaco.

A este respeito, ler também:


Notas e Referências

  1. ANTI-Smoking laws blocking firms from charity. Tobacco.org, Estados Unidos, 2 mar. 2009. Disponível em: http://archive.tobacco.org/news/279518.html. Acesso em: 18 nov. 2014. Documento integral: PDF.
  2. Amos, H. Foreign tobacco faces ban on charitable donations. Moscow Times, 14 dez. 2011. Disponível em http://www.themoscowtimes.com/news/article/foreign-tobacco-faces-ban-on-charitable-donations/449868.html. Acesso em: 18 nov. 2014. Documento Integral: PDF.



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